Biblioteca Julio Verne (II)

RJ, 24/09/2009 às 12:26 | Publicado em bibliomania | Deixe um comentário
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Voltei ao jornaleiro onde comprei A Volta ao Mundo em Oitenta Dias da coleção Biblioteca Julio Verne, pois não consegui encontrá-la em nenhuma outra banca. Lá já está à venda o que me parece ser o terceiro volume: Cinco Semanas em Balão, que foi o primeiro livro publicado por Julio Verne em 1863. Agora custa R$ 19,90 e não mais os módicos R$11,90, mas ainda assim acho que vale a pena.

Executando Edgar Allan Poe

RJ, 10/09/2009 às 10:08 | Publicado em bibliomania | Deixe um comentário
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Estava frio e o mau humor era crescente. Eu fazia parte de uma força tarefa interdisciplinar para catalogar discos de 33 rpm do acervo de uma grande biblioteca pública. As pessoas ali reunidas geralmente tratavam outros tipos de documentos especiais: eu geralmente trabalho com manuscritos, correspondências e às vezes fotografias, a menina na minha frente com manuscritos e fotografias, a do meu lado com obras raras. A força tarefa iria durar apenas duas semanas e nosso “treinamento” foi assim mesmo, com aspas, então a todo momento tirávamos dúvidas com o responsável pelos discos. “Como é mesmo a frase feita para o ex-libris?” ou “Neste disco, o que entra como subtítulo?”. O conjunto era composto primordialmente por música erudita, então havia muitas gravações de óperas, cantores líricos interagindo com orquestras que executavam grandes compositores, essas coisas.

A menina da minha frente, historiadora, tirou da pilha o seguinte disco John Smith reads Edgar Allan Poe, bateu a dúvida e ela chamou o bibliotecário responsável.

- Bibliotecário responsável, não sei o que entra no campo de título e o que entra no campo de subtítulo. O que fazer?
- Simples. O título é “John Smith”. No subtítulo coloque “executa Edgar Allan Poe” porque está escrito reads, mas não significa ler não. Ele está executando Edgar Allan Poe.

Bibliotecário responsável empunhou sua metralhadora e colocou mil furinhos na imperiosa lembrança do Poe e abafou a voz de John Smith durante sua leitura dramática. Foi o bibliotecário responsável quem executou Edgar Allan Poe em praça pública e sem direito a apelação, assim cheio de lugar comum.

Como pode alguém que optou por ser bibliotecário nunca ter ouvido falar de Edgar Allan Poe? Não digo nem ler, mas um dia ter escutado esse nome e associado ao rótulo literatura. Pior, essa não foi a única vez que vi um bibliotecário desconhecer referências básicas sobre livros e literatura.

Bibliomania

RJ, 08/09/2009 às 10:55 | Publicado em bibliomania | Deixe um comentário
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estante com livrosNos últimos dias venho tentando organizar nossa pequena biblioteca, se é que podemos chamá-la assim. É um projeto antigo que não saía do papel porque não achava uma base de dados eficiente para pequenas bibliotecas particulares. Todas as que encontrei por aí tinham campos importantes para automatização de bibliotecas públicas, mas desnecessários para as particulares e as bases para bibliotecas particulares eram muito restritas. O projeto ficou em suspenso até o dia que me rendi ao good and old Excel, e sabe que tem funcionado? Caso não fizesse a organização agora, em poucos anos estaríamos soterrados por pilhas de livros que nem sabíamos que existiam. Ainda por cima tenho que ouvir por aí que estou a me distrair, hunf!

É verdade que ao contrário da maioria — principalmente dos que tem pretensões intelectualóides — eu gosto bastante de trabalhos rotineiros, quase mecânicos. Nunca consegui explicar bem porquê. A imagem que mais se assemelha é o transe premonitório que o tear provocava na personagem Morgana em As Brumas de Avalon, mas sem a premonição, é claro. Cada livro catalogado, cada documento descrito é um passo em direção ao centro da minha mente. Fico tão alheia ao mundo que termino de organizar uma estante sem perceber que a comecei. No meu antigo trabalho, que consistia em descrever documentos de arquivo, vivia levando sustos muito constrangedores do tipo berrar-alto-e-pular-da-cadeira, o que não era muito legal, porém, em geral, adoro essa sensação. Todos deveriam descobrir onde fica o seu botão de off.

Além de me perder por horas dentro da minha cabeça, tenho me perdido em alguns livros interessantes seja por sua edição bem feita, pela capa e folha gostosas de tocar ou pelo conteúdo. Fiquei vontade de ler os três livrinhos que temos da coleção Bibliomania da editora Casa da Palavra, umas coisas do Lima Barreto e uns outros que ficaram um tempo na estante aguardando serem redescobertos. Não sou bibliófila, nem perto disso, mas tenho cá meus fetiches, então resolvi fazer uma categoria para a bibliomania.

No final das contas, também me divirto organizando nossas estantes. Também é aqui uma palavra chave.

Ciclo dos Caixotes, quando virei cineasta

RJ, 06/09/2009 às 00:59 | Publicado em antropologia de botequim | Deixe um comentário
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Sempre fui a maior analfabeta visual. Não via nenhum filme, nada. A ignorância diminuiu graças ao Paulo que tomou para si a tarefa de me educar. Injustiças das injustiças: eu fiz uma matéria na pós que me possibilitou gravar um quase-filme e ele ficou em casa com invejinha.

O desafio da aula de Antropologia e Imagem era mostrar algo que se passasse dentro de um ambiente limitado e fosse filmado em um curto espaço de tempo. Assim surgiu Ciclo dos Caixotes, um pequeno documentário etnográfico produzido em uma manhã de sábado no Centro de Abastecimento do Estado da Guanabara (CADEG) no Rio de Janeiro.

Sinopse: Da roça para o mercado público. Do mercado público para feiras e restaurantes. De volta para o mercado público e então para a roça, onde tudo recomeça. As desprezadas caixas, que movimentam o comércio de legumes e hortaliças no estado do Rio de Janeiro, entram em cena para revelar dinâmicas sociais.

Todo mundo que viu o filme ficou meio sem entender direito como é o tal comércio das caixas e assim fracassamos. Mas, dane-se, fiquei com orgulhinho.

 

Biblioteca Julio Verne

RJ, 04/09/2009 às 00:57 | Publicado em bibliomania | 22 Comentários
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voltaaomundo80dias - lombadaOutro dia esbarrei com uma edição de luxo no jornaleiro. Capa de couro, lombada bem feita, marcador de página e ilustrações — inclusive na capa. Era um exemplar da Biblioteca Julio Verne, editada pela espanhola RBA, importada para o Brasil pela Publisher Comércio Internacional e distribuída em jornaleiros pela Dinap. Isto eu sei porque estava em um papelzinho dentro do livro, mas nos sites das empresas não encontrei uma única menção à coleção. Então, não sei quantas obras já foram lançadas nem os pontos de venda.

Fiz uma busca rápida na internet e só achei uma notinha sobre a Biblioteca Julio Verne, que na verdade é uma resenha sobre Vinte Mil Léguas Submarinas. Empreitadas como essa deveriam ser divulgadas, mas como fazer isso se nem as companhias envolvidas fazem?

Meu interesse por literatura foi fartamente alimentado pela coleção Clássicos da Literatura da Nova Cultural. Quando eu era adolescente e nem mesada recebia, aquelas edições de capa dura, baratinhas e semanais me motivaram muito (e me formaram!). Sou super entusiasta dessas edições mais acessíveis de clássicos. Os livros que já caíram em domínio público deveriam ser espalhados pelo mundo para que as pessoas tropeçassem neles.

Eu encontrei o exemplar de A Volta ao Mundo em Oitenta Dias em um jornaleiro no bairro da Tijuca no Rio de Janeiro, mas o atendente não soube dar informações sobre a coleção. Agora eu vou lá rodar os jornaleiros da cidade atrás de informações ou de pelo menos mais um exemplar.

Update: Não encontrei a coleção em mais nenhuma outra banca, porém já chegou naquela primeira um novo volume da coleção, que eu comentei aqui.

voltaaomundo80dias - ilustração voltaaomundo80dias - capa

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RJ, 15/07/2009 às 04:51 | Publicado em blá blá blá | 1 Comentário

Abrindo a janela, tirando o pó, arejando o ambiente. Este é o primeiro post de mais um dos muitos blogs que eu comecei e mal saíram do número um. Mas eu não desisto. Não, não desisto mesmo que blogs em geral estão cada vez mais em desuso nesses tempos de “interações e compartilhamentos” com Twitter, Facebook, StumbleUpon, etc, etc. Talvez seja a solidão ou a chuva ou o trabalho final que procrastino… é possível q este também não passe de um primeiro e solitário post. Não prometo nada…

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